

Sobre nós

A Mocho+ é uma associação comunitária sem fins lucrativos, fundada em 2017 e sediada na Urbanização Terraços da Ponte, Quinta do Mocho, em Sacavém.
Criada por moradoras e moradores do bairro, a associação nasceu da necessidade de reforçar a capacidade de organização e representação da comunidade, visando uma participação mais ativa das/os residentes nas decisões, projetos e recursos que impactam o território.
Centrada no objetivo de combater a exclusão social e transformar a imagem do bairro, a associação desenvolve projetos focados na juventude, cultura, cidadania, participação, representação e autodeterminação comunitária.
A Mocho+ trabalha para criar oportunidades para as/os jovens da comunidade e combater os estigmas historicamente associados ao bairro, promovendo atividades ligadas às artes, desporto e desenvolvimento pessoal, fortalecendo o sentimento de pertença, autoestima e participação ativa das/os moradoras/es.
História
A Mocho+ é uma associação comunitária sem fins lucrativos sediada na Urbanização Terraços da Ponte, na Quinta do Mocho, em Sacavém. A sua história está profundamente ligada aos processos de organização coletiva desenvolvidos pelos moradores e moradoras do bairro para fortalecer a sua participação na vida comunitária e afirmar o seu direito a intervir nas decisões que afetam o território.
A associação surgiu em 2017, no âmbito do Projeto Esperança e6g, promovido pela Start.Social e do Programa Escolhas, através da iniciativa de um grupo de jovens residentes que partilhavam a convicção de que a comunidade deveria ocupar um lugar mais central na definição do seu próprio futuro. Sob o lema «Do Bairro para o Mundo», a Mocho+ nasceu da vontade de criar uma estrutura capaz de representar os interesses locais, mobilizar recursos e construir oportunidades para as gerações mais jovens.
A sua criação constituiu também uma resposta às limitações de um modelo em que grande parte dos projetos, recursos e intervenções dirigidos ao bairro são concebidos e geridos por entidades externas, frequentemente sem uma participação significativa das moradoras e moradores. A Mocho+ procura inverter esta lógica, criando um espaço de organização comunitária onde a população pudesse desenvolver iniciativas próprias, construir respostas para os desafios locais e afirmar a sua capacidade de liderança e representação.
Entre as pessoas que estiveram na origem deste processo encontram-se Antónia André, Sátira Rodrigues, Esperança Vieira, Virgínia Pascoal, Isabel Vemba, Erica Nair, Hélder André e Braulio Pitra, entre outras moradoras e moradores que contribuíram para a construção da associação. A primeira direção foi constituída por Braulio Pitra, como Presidente, Antónia André, como Tesoureira, e Sátira Rodrigues, como membro da Direção.
Ao longo dos anos, a associação atravessou diferentes fases de desenvolvimento, acompanhando as transformações das trajetórias pessoais, profissionais e familiares dos seus membros. Ainda assim, os laços comunitários, as relações de proximidade e o compromisso com o bairro mantiveram-se vivos, permitindo que a visão que esteve na origem da Mocho+ continuasse presente no território.
A partir de 2021, iniciou-se um novo ciclo de consolidação da associação, marcado pelo reforço das suas atividades e da sua presença local. Este percurso foi construído através do envolvimento continuado na articulação de parcerias e no fortalecimento da capacidade de intervenção da associação.
Em 2025, um novo processo de mobilização comunitária reuniu moradores e moradoras interessados em contribuir para o futuro da Mocho+, culminando, em janeiro de 2026, na eleição dos atuais órgãos sociais, compostos por Hélder André como Presidente, Nair Prata como Vice-Presidente e Vania Vanessa Vaz como Tesoureira.
Hoje, a Mocho+ afirma-se como uma plataforma de cidadania ativa, participação social e desenvolvimento comunitário. Através de projetos nas áreas da juventude, cultura, educação e participação cívica, a associação trabalha para combater a exclusão social, desconstruir os estigmas historicamente associados aos bairros sociais e criar condições para que as/os residentes sejam protagonistas da transformação do seu próprio território.
Ancorada na coletividade, a Mocho+ constitui um espaço de representação, pertença e construção de futuro, onde a comunidade se organiza para reivindicar direitos, fortalecer potencialidades locais e imaginar novos horizontes para as próximas gerações.
Visão
Uma comunidade onde todas as pessoas possam desenvolver plenamente o seu potencial, participar ativamente na vida coletiva e contribuir para a construção de futuros mais justos, solidários e sustentáveis.
Missão
Potenciar talentos, quebrar barreiras e construir pontes, fortalecendo a participação comunitária, a educação, a cidadania, a empregabilidade e o desenvolvimento local através de projetos que valorizam as pessoas, os saberes e os territórios.
Valores
Participação
Acreditamos que as comunidades devem ter um papel ativo na definição dos seus próprios futuros. Promovemos processos onde moradoras e moradores participam, decidem, propõem e contribuem para a construção das respostas aos desafios do território.
Comunidade
Reconhecemos a comunidade como um espaço de conhecimento, cuidado e ação coletiva. Valorizamos as relações de proximidade, a entreajuda e a capacidade de construir soluções a partir das experiências e recursos existentes no bairro.
Autonomia
Trabalhamos para fortalecer a capacidade das pessoas e dos grupos de desenvolver iniciativas próprias, ocupar espaços de decisão e assumir um papel ativo na transformação das suas realidades.
Equidade
Defendemos uma sociedade onde todas as pessoas tenham acesso a oportunidades, recursos e direitos. Reconhecemos que diferentes trajetórias exigem diferentes formas de apoio e compromisso para que a participação seja efetivamente possível.
Criatividade
Valorizamos a criatividade como ferramenta de expressão, aprendizagem e transformação social. Através da cultura, das artes e da experimentação coletiva, abrimos espaço para imaginar novas possibilidades e construir respostas inovadoras para os desafios contemporâneos.
Transformação
Acreditamos que a mudança acontece quando as pessoas se organizam, partilham conhecimento e atuam coletivamente. Procuramos contribuir para processos de transformação duradouros que fortaleçam a comunidade e ampliem as suas possibilidades de futuro.
Projetos
Cidades Fragmentadas

Cidades Fragmentadas é um projecto de arquitectura, pesquisa e arte concebido pelo atelier Frame Colectivo. Neste âmbito decorreu a residência Mapa Afetivo - Memórias do Mocho Antigo entre maio e junho de 2026, na Quinta do Mocho, em parceria com a Mocho+. A residência acolheu a arquiteta, investigadora e cartógrafa brasileira Laura Pappalardo enquanto artista residente e deu origem ao aqui publicado, construído a partir das memórias, testemunhos e conhecimentos partilhados pelas/os moradoras/es do bairro.
A residência propôs a construção coletiva de uma cartografia afetiva do território, partindo das memórias, referências e continuidades que persistem entre o “Mocho antigo” e o bairro atual. Através de conversas, recolha de testemunhos, caminhadas e sessões de mapeamento participativo, foram reunidas histórias, lugares, percursos e experiências que fazem parte da memória coletiva da comunidade, mas que raramente encontram lugar nas representações oficiais do território.
A residência procurou valorizar os conhecimentos locais e promover o encontro entre diferentes gerações, reforçando a memória coletiva do bairro como ferramenta para pensar o presente e imaginar futuros possíveis. O resultado deste processo foi a criação do , produzido por Laura Pappalardo a partir dos contributos recolhidos junto das/os moradoras/es e participantes ao longo da residência.
Frame Colectivo
O Frame Colectivo é um atelier de arquitetura, investigação e arte fundado em 2013 por Agapi Dimitriadou e Gabriela Salhe. Trabalha com metodologias interdisciplinares, cruzando arquitetura, pesquisa, sociologia e práticas artísticas engajadas com questões sociais e ecológicas, a partir de perspetivas decoloniais e contra-coloniais. O coletivo colabora regularmente com artistas e comunidades locais para desenvolver formas de comunicação horizontal no âmbito da arquitetura expandida, que exploram formas de comunicação horizontal, produção coletiva de conhecimento e construção de espaços de encontro, diálogo e transformação social.
Laura Pappalardo é arquiteta, investigadora e cartógrafa brasileira, mestre em Desenho Ambiental pela Yale University e doutoranda em Planeamento Urbano e Regional na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Desde 2020 integra o Chão Coletivo, grupo formado por investigadores, arquitetos e construtores guarani e não indígenas com atuação na Terra Indígena Jaraguá. Desde 2021 desenvolve trabalho na área do geoprocessamento participativo, colaborando com coletivos, associações comunitárias e movimentos sociais através de oficinas de visualização espacial, cartografia colaborativa e contra-cartografia.
Sobre o projeto Cidades Fragmentadas
Cidades Fragmentadas é um programa de investigação, criação artística e ação coletiva que procura refletir sobre as desigualdades urbanas na Área Metropolitana de Lisboa. O projeto parte do reconhecimento de que muitos territórios continuam a ser marcados por processos históricos de segregação socioespacial, frequentemente relacionados com heranças coloniais e aprofundados por fenómenos contemporâneos como a financeirização da habitação, a turistificação e os modelos de regeneração urbana orientados pelo mercado.
Perante estas dinâmicas, o projeto promove residências artísticas e processos colaborativos que criam espaços de encontro, escuta e produção de conhecimento situado, tornando visíveis experiências, memórias e formas de habitar a cidade frequentemente ausentes das narrativas dominantes sobre Lisboa.
A edição de 2025–2026 desenvolveu-se através de quatro residências realizadas em diferentes territórios da Área Metropolitana de Lisboa:
- +Casal da Boba — Artemísia Ferreira e Bandeirinhas Panafricanistas
- +Mouraria — Tiziano Cruz e Cooperativa Bandim
- +2.º Torrão — Frame Colectivo e Grupo Recreativo do 2.º Torrão
- +Quinta do Mocho — Laura Pappalardo e Mocho+
A residência Mapa Afetivo - Memórias do Mocho Antigo constituiu a quarta e última residência do programa, contribuindo para ampliar as formas de representação do território através da memória coletiva dos seus habitantes e para reforçar o reconhecimento da Quinta do Mocho como um lugar de história, conhecimento e produção cultural.
O integra a exposição Fazer Parte, que reúne os quatro momentos de residência desenvolvidos no âmbito do projeto Cidades Fragmentadas.
Ficha Técnica
Residência Cidades Fragmentadas Ato 4
- +Artistas Residentes: Laura Pappalardo e Associação Mocho+
- +Co-curadoria, direção e gestão: Gabriela Salhe e Agapi Dimitriadou
- +Assistência de curadoria e investigação: Jessica Bruno
- +Produção: Ricardo Batista
- +Design de Comunicação: Lisa Moura
- +Comunicação: Denise Santos
- +Acolhimento: Associação Mocho+
- +Coordenação: Jessica Bruno
- +Apoio: DGArtes || República Portuguesa
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